Vasti, a rainha banida que se recusou a ser maltratada.

Sempre tinha lido esta história com a ideia de que Vasti tinha sido uma mulher rebelde. Só agora vejo que não. Pelo contrário, foi muito corajosa. Assuero, alcoolizado, ordena que a mulher surja perante a luxúria de outros homens, tal qual objecto sexual. Penso que tantas vezes hoje em dia, este conceito de desobediência é deturpado. Não há nada de digno neste pedido de Assuero e Vasti não tem de aceder ao marido, quando o que lhe pede envolve pecado. Admiro-lhe a coragem, e vejo também a providência de Deus, quando na fúria de Assuero, ela é banida do reino apenas, quando imaginaria que tamanha ofensa fosse a morte.

No final do capítulo, numa época em que a autoridade dos homens é coisa pouco contestada, um rei a parecer tolo com um decreto em que ordena que todos os homens sejam senhores na sua casa. Como se a submissão fosse uma ideia que se escrevesse no papel e não um inclinar de coração. Deus guardou a rainha Vasti, permitindo que ela saísse desta forma. Porque era preciso que entrasse outra rainha em cena: Ester.