Uma geração a nascer, como Ester.





Dizem que devemos viajar com pouca bagagem
Mas carregamos tudo connosco durante a maior parte da vida
Nos dias que correm não são os braços que nos pesam
É a mente
Acordamos em pânico
São os nossos pensamentos que hiperventilam com o medo
De cometer erros.
Medo de falhar ou de conseguir
Ou medo de nunca nos livrarmos do passado
De sermos exactamente o que nos disseram que seríamos
De nunca sermos mais do que aquilo que nos fizeram
De que continuem a aproveitar-se de nós
De devermos aceitar que a vergonha é uma companhia constante
De devermos deixar que as mentiras nos acompanhem
As mentiras
Nasceram num jardim
Maliciosamente pronunciadas por uma serpente escorregadia com o seu dulcíssimo: “Mas Deus disse mesmo...?”
 E desde aí duvidamos
Permitimos a presença de um convidado indesejado nos nossos lares, pensamentos, jardins
Que nos prende nesse medo escorregadio
De sermos defeituosas
De nunca sermos suficientemente boas
Sem cérebro nem músculos suficientes
Sem coragem de enfrentar seja o que for.
Mas não há tempo para suavidades ou fraquezas
Que temos de ser sempre fortes
Que nunca seremos perfeitas
Que nunca teremos valor
Que nunca seremos suficientes
E por vezes sentimos que Deus nos chama, nos faz um sinal
Nos tenta mostrar
Mas permanecemos acorrentadas
Atrás de muros de descrença e ausência de perdão
Com os braços como cordas gastas numa tensão cruel
Num jogo da corda entre o medo e o chamamento
Entre a preocupação e a paz
O conforto e o incómodo
Comparando-nos umas às outras
Enquanto combatemos a baixa autoestima
 Fazemos o que é mais prático?
Ou seguimos os nossos sonhos?
Tratamos de nós?
Ou das necessidades dos outros?
Devemos lutar?
Devemos agradar?
Devemos esconder-nos do que somos para tranquilizar os outros?
E depois as mentiras ecoam e crescem
Falhada
Abusadora
Desleixada
Ninguém precisa de ti
Ela é muito melhor
Olha para ela
Pensaste mesmo que ia ser boa ideia?

Se abrires a boca todos vão rir até a fechares outra vez
Não és suficientemente esperta
Não és suficientemente boa
Não és suficientemente inteligente
Quem pensas tu que és?
O medo é uma corrente que nos sacode com força
É o veneno que mata o nosso coração
Medo de falhar
Medo de nos debatermos
Medo das flechas
Medo do caminho estreito Medo da rocha à nossa frente que nos implora suor e esforço
escalarmos as paredes dessa cova de conforto adormecido a que chamam status quo
E irrompermos pela terra em direcção à vida para a qual nascemos
No presente da nossa vida, enquanto ainda nos corre tempo e sede nas veias
Demos a volta e sacudamos a serpente
Cuja cabeça foi esmagada – não, pulverizada

Libertemo-nos da mentira.
Por vezes imaginamos a voz de Deus como a de um professor severo e desiludido
À espera de nos bater com a régua à mínima imperfeição
Mas não é essa a voz de Deus
Não é esse o coração de Deus
A Sua voz é terna Ele não tem de a levantar
Fala como se estivesse ao nosso lado
Porque está mesmo ao nosso lado
Caminha à nossa frente
E o Seu espírito vive dentro de nós
Começa pelo amor
Não por ser um romântico incurável Mas principalmente
Porque TODO ele é AMOR
e ESPERANÇA
e SEGUNDAS OPORTUNIDADES

Libertemo-nos dos dentes da mentira e tratemos a ferida
com os bálsamos da Verdade que nos cura a alma em sangue
Peguemos na lâmina afiada da Palavra para golpear a serpente que nos rasteja pelo pescoço
As palavras
O único golpe que corta a mentira da serpente e sara a nossa vida
Tememos esse lugar onde pensamos que o amor de Deus vai acabar ou secar
Tememos esse lugar onde pensamos que o amor de Deus vai acabar, secar, cair pelo precipício
E deixar-nos suspensos fora do Seu alcance
Tememos o fim do amor de Deus
Mas o Seu amor nunca acaba
O Seu amor firme supera os subúrbios
Abrange tudo, dos arranha-céus a cada esquina de cada rua, dos alpendres aos pilares
O Seu amor procura-nos.
O que seríamos? O que faríamos?
Se não tivéssemos medo
Será que sempre quisemos irromper pelo solo
Num local ermo onde faz falta uma árvore
Dar frutos para alguém com a língua colada ao céu da boca sedenta
Ser o ramo que acolhe um bebé abandonado
Ser o ramo que leva alguém para além da cerca, à liberdade
Fomos feitas de pó Um pedaço de terra beijada pelo céu
Para sermos pioneiras
E pacificadoras
E libertadoras
Por isso usemos as capas lustrosas da Vogue para limpar janelas
Porque as mulheres mais belas têm as unhas sujas de terra
E sacodem a própria terra dos sapatos confortáveis e pioneiros
Redefinamos a zona de conforto,
porque onde quer que Ele nos leve
Estaremos com quem nos consola
Onde quer que Ele nos chame
Estaremos sempre na zona de conforto
Vivamos pois todos os momentos presentes na Sua presença
Na companhia de Cristo
Para participarmos no que há de melhor

Há toda uma geração de Esteres aqui e agora, e somos nós.
Que chegamos destroçadas
Fartas das derrotas às mãos do medo, da preocupação e do stress
Porque isso anuncia a inconstância de Deus
Que queremos coisas difíceis e Santas porque queremos mais que vidas vazias
Uma vida para lá do egocentrismo e telemóveis
Mais que iPhones, iTunes e iAmor
Que queremos uma vida de amor aos menores, aos solitários, aos perdidos
Há toda uma geração de Esteres que surge aqui e agora, e somos nós
Que estamos fartas do que é fácil
Que sabemos que imitar Cristo e cuidar dos pobres de corpo e de espírito
É mais do que sossegar a consciência
É viver um verdadeiro sacrifício

Há toda uma geração de Esteres que surge aqui e agora, e somos nós
Que dizemos que chegou a altura das corajosas da fé
Se deixarem cair em queda livre e voarem
Recordarem que não têm de se esforçar para ser outra pessoa
Pararem de combater o que Deus criou
Aceitarem que o nosso Deus perfeito não erra

Há toda uma geração de Esteres que se ergue aqui e agora, e somos nós
Que pegamos no peso que carregamos às costas
E o levamos de volta ao salvador que já carregou o peso do mundo às Suas costas
Que nos rendemos
Que depomos o alabastro das nossas esperanças e sonhos aos pés do Salvador Há toda uma geração de Esteres que surge aqui e agora, e somos nós
Que não voltaremos a procurar a paz nas opiniões
Mas encontraremos terra firme na verdade
Há muitos amanhãs a enfrentar
Mas hoje vamos abrir o coração, as feridas e o passado
Ao maior contador de histórias
Para que as nossas vidas sejam esculpidas pela Sua pena
E possamos
ACREDITAR
e AMAR
e ORAR
e LUTAR
e DESCANSAR
e VIVER!