Educar é difícil por um motivo.

Tinha sido um dia longo e onde nada correu como era suposto. Devo ter chamado à atenção das crianças a cada cinco minutos. Após gerir lutas e limpar o caos durante todo o santo dia, eu estava exausta, irritada e impaciente.

Sentada à mesa de jantar naquela noite, foi a vez do meu filho mais velho dar graças. Quando o ouvi dizer: "E Deus,  será que poderias por favor ajudar a mãe a ser mais paciente?" Eu percebi que eu não era o única afectada pelo nosso dia difícil. Eu era parte do problema.

Antes de ter filhos, considerava-me uma pessoa paciente. Tendo trabalhado com crianças profissionalmente, sentia-me confiante na minha capacidade de interagir com elas. Presumi que trabalhar com crianças problemáticas me qualificava automaticamente para a parentalidade. Foi logo a seguir a ter o meu primeiro filho que eu percebi o quão errada eu estava.

Quando os meus filhos eram pequenos,  não conseguia entender por que as coisas não estavam a correr como deveriam. Eu li tudo o que era livro. Segui cada método e passo listados nas páginas. Fiz tudo o que foi dito para fazer. Mas os meus filhos não dormiam sempre da forma como os especialistas dizem que eles deveriam dormir. Eles não deixaram as fraldas num dia. Ainda não estou convencida de que eles tenham mesmo aprendido todas as boas maneiras. E eles ainda não fazem tudo o que eu mando logo à primeira vez.

Não conseguia entender. Quando os pais procuram criar os seus filhos de maneira piedosa, por que é que ainda assim a parentalidade se avizinha tão difícil? Mas se  acredito que Deus é soberano, então eu devo acreditar que ele é soberano sobre todos os desafios que tenho com os meus filhos. Se eles têm um dia difícil, se lamentam, se queixam, e não se dão bem, isso não está fora do controle de Deus.

Enquanto eu costumava desesperar sobre os padrões de sono imperfeitos dos meus filhos, ou dos seus comportamentos indisciplinados, e a insuficiência de dizerem por favor e obrigado, eu agora percebo que há um propósito maior: eu ser refinada. Cada luta, cada dia cansativo, cada problema comportamental, é uma oportunidade para eu crescer na minha fé. Deus usa os meus filhos como espelhos para refletir para mim o pecado que eu não sabia que reside no meu coração. Ele está de facto usando os meus próprios filhos para me refinar e me transformar.

A parentalidade existe para cultivar o solo do meu coração, eliminando os pecados que me impedem de crescer na fé. Algumas das raízes são profundas e têm-se enredado em volta do meu coração. Antes de ter filhos, não percebia como alguns pecados estavam tão enraizados como a impaciência, o egoísmo e a irritabilidade. Foi necessário o desafio de criar filhos para isto me ser revelado desta maneira.

Este processo é doloroso. No entanto, é tão necessário.

Mas mesmo quando Deus revela os meus pecados de impaciência, irritabilidade e egoísmo, ele também revela a Sua graça. Quando os meus filhos são facilmente distraídos e eu respondo com impaciência, não só o Espírito revela o pecado que há em mim, como também me aponta todas as formas como Deus é paciente com o meu próprio coração distraído. Quando as ervas daninhas do egoísmo se tornam aparentes no meu coração, eu também sou confrontada com a suficiência de Cristo na cruz por mim.

Uma e outra vez, o evangelho da graça cobre o meu pecado, trazendo-me de volta para a cruz de Cristo. Jesus sabia que eu nunca poderia ser uma mãe perfeita. Ele sabia que eu não podia responder aos meus filhos com amor e graça a cada momento. Ele sabia que eu ia ter dias em que eu seria um fracasso. E é por isso que Ele veio. Na cruz, Ele sofreu por cada vez que sou impaciente, por cada vez que eu falho em ensinar e corrigir os meus filhos, e por cada vez que eu não os amo como Ele os ama.


Educar é difícil. Mas, como eu aprendi, é difícil por uma razão. Deus está no processo de fazer novas todas as coisas, incluindo os nossos corações. Ele poda, capina, e cultiva o solo dos nossos corações para nos tornar cada vez mais semelhantes a Cristo. Um dia, o seu trabalho estará completo, e vamos ver o resultado de tirar o fôlego de seu trabalho de refinação em nós. As plantas daninhas terão desaparecido, e o nosso pecado não existirá mais.

Nesse dia, quando eu fiquei cara a cara com os meus pecados na mesa de jantar, eu contei-os como graça. Pois é o amor misericordioso de Deus, que deseja livrar-me dos pecados que me mantêm com ele. E depois de o meu filho ter orado, pedi-lhe perdão para com a minha impaciência naquele dia. Lembrando-lhe que sou pecadora como ele é, e usei a oportunidade para lhe apontar a graça de Cristo, que levou todos os nossos pecados na cruz.

Que todas nós possamos aceitar os desafios da parentalidade, sabendo que cada momento frustrante é uma oportunidade de crescimento: o arrancar frequente de ervas daninhas.

Texto de Christina Fox, posteriormente traduzido.