4 maneiras de cultivar a alegria



Numa busca constante em descobrir como ser mais alegre, apercebo-me que com frequência sou eu própria quem me saboto em relação a isto. Em vez de cultivar respostas do coração que me permitam brilhar, parece que me empenho em derrubar todo o tipo de pequenas sugestões de alegria que florescem à minha frente. Muitas das vezes tem que ver com circunstâncias da vida, em que dou comigo a matar a alegria. É preciso aprender a usar as ferramentas certas para que a alegria não só cresça, mas crie raízes e não desapareça.
Existem quatro maneiras de cultivar a alegria:

1.  Confiar em Deus em relação ao futuro
Nada mata mais a alegria do que a preocupação. Lembrando a definição de alegria: “Alegria é a firme certeza de que Deus está no controle de todos os detalhes da vida, a confiança de que no final tudo vai dar certo, e a obstinada escolha de louvar a Deus em todas as coisas”. A confiança e a alegria estão directamente relacionadas. Quando a confiança cresce, a alegria tem a liberdade de crescer. Alegria e preocupação são incompatíveis. Deus deseja que o contemplemos com confiança, com um olhar firme e fixo, e só olhemos de relance para os nossos problemas. Só que tantas vezes o nosso padrão é olhar fixamente para os nossos problemas e de relance para Deus.
Tantas vezes a energia que investimos em contemplar os nossos problemas tem tudo menos de produtiva. Experimentamos uma repetição de pensamentos que achamos que poderão ser a solução, e mesmo quando conversamos com Deus, o foco mantém-se no problema em si.
Uma parte fundamental de expressar confiança em Deus é aprender a contemplá-lo e só ver os problemas de relance. Ao fazermos o inverso, a alegria não firma raiz no nosso coração pois estamos demasiado concentrados em nós mesmos. Como foi escrito em I Pedro 5:7 : “Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade porque Ele tem cuidado de vós”. Falta de confiança em Deus sufoca a alegria. Ou como diz em Mateus 6: 33-34: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.”
Na prática, duvidar das promessas de Deus que vai cuidar de tudo, é rebeldia. Como crentes, não queremos ser rebeldes, mas na prática é o que fazemos. Tantas vezes Deus prometeu cuidar de nós, das nossas necessidades, antes mesmo de pedirmos. Nós somos amados por Ele! Quando nos recusamos a confiar nele, como evidenciam as nossas unhas roídas, a nossa irritabilidade, a nossa dor de barriga, a nossa falta ou excesso de apetite, estamos a afirmar: “Eu sei que estiveste presente no passado e cuidaste, mas não tenho bem a certeza se estarás no futuro.” E isto, sendo falta de confiança, é uma grande rebeldia.
Uma história na Bíblia que é um exemplo de confiança no futuro é a de Maria. O anjo Gabriel aparece, anunciando-lhe que iria ser a mãe de Jesus, e qual a resposta dela? “Sou serva do Senhor, que aconteça comigo conforme a Tua Palavra.” – Lucas 1:38
E é isso. Confiar em Deus que Ele é suficiente para mim hoje, e será o suficiente amanhã, e depois de amanhã. Orar para que nos torne como Maria e nos faça manter num lugar de paz. Deus trabalha para criar este tipo de paz dentro de nós diariamente. Ao nos depararmos com coisas que nos assustam, estamos no melhor lugar para aprendermos a desenvolver a paz e a alegria. É nessas alturas que temos a possibilidade de responder como respondeu Maria: “Eu sou tua, que aconteça comigo conforme a Tua Palavra.”

2.       Equilibrando a vida
Passamos os dias com a sensação de que somos empurradas pelas exigências quase impossíveis da vida. Muito antes deste tempo, já Sócrates tinha avisado: “Cuidado com a esterilidade da vida ocupada”. A alegria murcha quando estamos demasiado ocupados. Quantas vezes subvalorizamos a quantidade de tempo que levamos para uma determinada tarefa e acabamos escravos de compromissos que fizemos, dizendo sim a todas as coisas erradas, deixando-nos sem tempo ou energia para dizer sim às pessoas mais próximas ou irmãos. Entregamo-nos a actividades que nos parecem importantes e deixamos de lado relacionamentos ou comunhão na Igreja.
Muitas das vezes, mentimo-nos a nós próprios, achando que é só uma fase e que em breve vai abrandar. A nossa capacidade de auto-engano é enorme! Como diz Anne Dillard: “O modo como passamos os dias é, naturalmente, o modo como passamos a vida. O que fazemos com esta hora, e a hora seguinte, é o que estamos fazendo da vida”. Sim, existem fases incomuns de excesso de actividades, mas é fácil permitir que uma fase se torne um padrão. O que se torna um padrão, torna-se um estilo de vida. E um estilo de vida agitado simplesmente deixa-nos sem tempo para a alegria. O Salmo 127 diz: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono.” Não é fácil entender este versículo porque quando acordamos de manhã, a casa e as coisas não ficaram miraculosamente arrumadas e preparadas! Mas sei que a ideia é a de que é autodestrutivo trabalhar dia e noite sob pressão – por pensarmos que se tudo não for feito, vai desmoronar – e então cairmos na cama tão exaustos que não conseguimos dormir. A vida agitada enche uma agenda, mas fractura uma família. Ela rouba-nos a alegria.
O antídoto para a correria é o equilíbrio. É preciso reconhecermos a brevidade da vida, reduzir o ritmo, e isto tudo na dependência de Deus, com muita oração. “A vida é breve como um sopro”- Jó 7:7. Por causa da brevidade da vida, em vez de nos atarefarmos em absorver tudo antes que termine, devemos saborear e desfrutar tudo o que nos é dado.
É claro que cada fase da vida tem as suas limitações, quer tenhamos crianças em casa, ou vivamos sem elas, quer trabalhemos a tempo inteiro ou tenhamos dificuldades de saúde. Mas não devemos pensar no estado de vida como permanente. Em Eclesiastes diz que há um tempo para tudo, certo? Parte de viver em equilíbrio é conseguir identificar em que fase da vida estamos e adaptarmo-nos a ela, sem que seja a fase em si a tomar conta de nós.
Pensando na nossa vida mais à frente, se Deus nos permitir viver muitos anos, será que olharemos e acharemos que empregámos bem o nosso tempo? Ainda mais importante: olhará Deus para a nossa gestão do tempo e estará satisfeito connosco? O segredo é ceder a Deus diariamente o controlo do nosso tempo, tendo em mente que a profundidade do que vivemos e não a velocidade são a verdadeira medida de uma vida equilibrada.
No Salmo 31, versículo 15: “De hora em hora entrego os meus dias nas tuas mãos”. Este versículo poderá ajudar-nos a manter o foco no uso sábio do tempo, no meio de agendas, calendários e listas infindáveis por tratar. Assim, cultivaremos alegria na nossa alma.

3.       Praticando a aceitação
De uma forma geral, as mulheres têm muito orgulho em dizer que são perfeccionistas. Esperam perfeição de si mesmas e dos outros.  Mas o perfeccionismo tem as suas raízes bem firmadas na queda, em Génesis 3, e também no ambiente em que crescemos. Com frequência, um pai ou um professor difícil de agradar podem criar sérios problemas na forma como nos vemos, carregando na nossa mente um crítico interno, a segredar-nos o nosso falhanço.
Será que o desejo de perfeição interfere de modo significativo nas tarefas que executamos, ou na capacidade de as realizar? A constante obsessão em ser perfeccionista levam-nos tantas vezes a crises de ansiedade, problemas alimentares, depressão, esgotamento. Já pensámos que se calhar perseguir a perfeição nos rouba a alegria e a paz? Richard Carlson escreveu: “ Ainda estou para encontrar um perfeccionista cuja vida seja plena de paz interior. A busca da perfeição e o desejo de tranquilidade são incompatíveis.”
O desejo por perfeição não é completamente errado. Nós fomos criados perfeitos. Com corpos perfeitos, para relacionamentos perfeitos. Com mentes perfeitas, fomos criados para viver eternamente. Algo dentro de nós clama pelo que se perdeu. Por isso, continuamos a buscar essa perfeição pela qual a nossa alma anseia. Não é errado ansiar por perfeição, mas é errado esperar encontrá-la na terra. A perfeição não está aqui. Há, de facto, algo muito errado com tudo isto. Trata-se de reconhecer que vivemos debaixo do pecado. A perfeição só virá no novo céu e na nova terra. O paraíso perdeu-se em Génesis 3. Mas em Apocalipse 21 diz que Ele é restaurado. Diz que Deus nos enxugará dos nossos olhos toda a lágrima: Não haverá mais morte, tristeza, nem choro ou dor! Deus diz que fará novas todas as coisas! Tudo o que foi quebrado será restaurado. Que alegria podemos ter nesta promessa!
O antídoto para o perfeccionismo é a aceitação. Aceitação de todas as imperfeições terrenas, uma vez que estamos focados no dia em que a imperfeição não mais existirá. Se tentar experimentar perfeição, estarei sempre decepcionada. Se continuar a buscar perfeição dentro de mim, matarei a minha alegria! Quando me aceito como sou, e não como gostaria que eu fosse, quando aceito os outros como eles são e não como eu acho que eles deveriam ser, a minha alegria, juntamente com a esperança têm terreno fértil para crescer!

4.       Lutando pela alegria
Para que a alegria se torne realidade, é preciso lutar contra todas as atitudes de legalismo, preocupação, compulsão pelo trabalho e perfeccionismo e, no lugar delas, cultivar graça, confiança, equilíbrio e aceitação. A alegria não virá sem luta interior. Nada que vale realmente a pena aparece sem luta. Assim que formos hábeis em cultivar a alegria em nós mesmos, encontraremos prazer em cultivá-la nos outros.



- Adaptação livre do "Choose Joy". K.W.