Hospitalidade de "tecto aberto"

Às vezes, quando leio passagens da Bíblia já familiares para mim, dou comigo a ser retida em alguma frase. Muitas vezes, não é o ponto principal da passagem, mas uma verdade escondida por trás da história, que o Senhor usa para me desafiar de maneiras novas. Recentemente, encontrei esta situação ao ler a história do paralítico trazido a Jesus pelos seus quatro amigos e baixado pelo telhado (Marcos 2: 1-12).

A parte da história que me chamou à atenção foi o versículo 4, "eles removeram o telhado acima dele." No meio da leitura, meus pensamentos dirigiram-se para a família que organizou este encontro em Cafarnaum (provavelmente Pedro e a sua esposa). o que é que lhes passou pela cabeça ao encherema casa de gente? Será que a esposa de Pedro olhou para cima com incredulidade à medida que o seu telhado ia sendo removido? Estaria frustrada ou fascinada? Será que os quatro amigos depois se deram ao tarbalho de tapar o buraco que abriram? Ou, no meio de toda a excitação, deixaram o telhado com um buraco?

Nenhuma dessas perguntas é respondida no texto. E de nenhuma maneira o foco desta passagem é a hospitalidade. No entanto, a fidelidade desta família ao abrir sua casa fez-me parar e reflectir sobre esta questão: Será que tenho uma "política de tecto aberto" na minha própria casa? Estou disposta a que a minha casa seja invadida, remodelada, e modificada de forma a que outras pessoas possam ter um encontro com Jesus? Estou disposta que o o tapete seja manchado e que o riso de crianças seja a música de fundo? Estou disposta a deixar de lado a minha preocupação de impressionar os outros, de modo que me possa me concentrar em receber outros?

Os meus pais eram um verdadeiro exemplo de pessoas que usaram a sua casa em formas não convencionais de amar os outros. Quando eu tinha 4 anos de idade, o meu avô materno veio morar connosco. Os médicos esperavam que ele vivesse por apenas mais um ano. Ele ultrapassou as suas expectativas e viveu conosco por 19 anos. Não me lembro de nenhuma memória de infância sem ele por perto.

Dois anos depois de ele ter vindo morar conosco ele caiu e partiu o fémur. Ele deixou de conseguir subir as escadas para o quarto de hóspedes, por isso os meus pais alteraram a  nossa sala de estar, colocando lá  uma cama de hospital, TV, e uma mesa, onde passei horas a montar quebra-cabeças com ele. Alguns anos mais tarde, o meu tio também veio morar connosco. Diagnosticado com cancro, o tio Jimmy passou os últimos dois anos da sua vida em nossa casa. A minha mãe levou-o para tratamentos de quimio, cuidou das suas necessidades, e forneceu-lhe a comunhão da família nos seus últimos dias.

A nossa sala de estar albergou dois leitos hospitalares. Quando criança, nunca percebi que isso poderia ser incomum (é um pouco como a cena de abertura de Charlie e a Fábrica de Chocolate). Nunca ouvi os meus pais proferirem uma palavra de reclamação sobre o cuidado que davam ou com a  forma como a sua casa teve de ser reajustada para proporcionar carinho a estes homens. Pelo seu exemplo, eles ensinaram-me a beleza da verdadeira hospitalidade.

Um lar hospitaleiro não requer gosto requintado ou perfeição intocada. Ela não precisa de uma grande habitação ou situação perfeita. O termo hospitaleiro - literalmente- deriva da prática de lavar os pés a qualquer hóspede que entrar na casa. A hospitalidade bíblica é uma vontade humilde de servir os outros. Não tem a intenção de mostrar o que temos, mas pretende demonstrar a quem seguimos.

Ao abrirmos as nossas casas, nós fornecemos uma oportunidade para aqueles que entram para encontrar o amor de Jesus. Talvez através das suas palavras num estudo bíblico semanal. Talvez vejam em ti uma mãe carinhosa que recebe crianças em casa, e que não se importa de limpar a sujidade que elas deixam. Talvez possam sentir em ti a disponibilidade de um ouvido amigo.

Em vez de focarmos os nossos esforços em melhorarmos as nossas casas, faríamos melhor em  moldar os nossos corações para a casa perfeita que nos espera no céu. À medida que cada vez mais temos a esperança no lar celestial,  tornamo-nos pessoas que praticam fielmente hospitalidade em nossas casas terrenas.

Romanos 12:13  encoraja-nos a "contribuir para as necessidades dos santos e procurar mostrar hospitalidade." Procuramos convidar outras pessoas para as nossas casas, sabendo que Jesus está entre nós, trabalhando milagres modernos em nosso meio.

Melissa Kruger