Quem tenho eu no céu senão a Ti?

Já não é a primeira vez, num curto espaço de tempo, que sou conduzida ao Salmo 73 (a anterior, aqui.).

O salmo começa com uma declaração de uma verdade bíblica incondicional e central: Deus é bom para seu povo (vs. 1). Isto é o que o salmista acreditava e ainda assim ele estava numa situação em que lhe era muito complicado comprovar desta bondade. Ele explica como se sente atormentado (vs. 14). Não encontrava sentido em nada. Tinha andado fielmente nos caminhos de Deus, e esforçava-se por se manter dedicado e puro. E, no entanto, encontra-se em grande sofrimento. E no meio deste sofrimento, vê pessoas más em todo o lado a darem-se bem na vida. Ao tentar entender isto, sente-se oprimido (vs. 16). Dá consigo a invejar os outros (vs. 3) e a quase abandonar a  fé para viver como os ímpios (v 2). Ele diz: 'Na verdade que em vão tenho guardado o meu coração puro; em vão tenho lavado as minhas mãos na inocência "(vs. 13).

Até que, finalmente, se vira para o santuário de Deus, num último esforço para ver se Deus está lá (vs. 17a). E este é o lugar onde ele recebe uma revelação surpreendente: é- lhe é dado um vislumbre, por assim dizer, da eternidade. Ele vê os tormentos eternos dos ímpios e também vê as verdadeiras bênçãos dos justos. De repente, fica  horrorizado com o próprio destino daqueles a quem ele tinha invejado (v. 18-20). À luz desta revelação, ele percebe o quão absurdo e ignorante ele tinha sido (vs. 21-22). Como poderia ter invejado essas pessoas? Mas a coisa mais importante que ele se apercebeu foi esta: Ele não tinha percebido a dimensão do que já tinha recebido de Deus. Ele esperava ver a bondade de Deus manifesta de maneiras tão materialistas, quando na verdade essas coisas são incomparáveis ​​com o que ele agora vê diante de si. Parece que, neste momento, quando se encontra na presença de Deus, ele vê qual a maior riqueza que pode ter na vida: Deus.

E assim, os seis últimos versículos deste salmo são a expressão de um homem que se liberta de todas as necessidades e que se apega a Deus, a quem ele agora redescobriu. Encontramos um homem que se transforma da pobreza à riqueza, satisfação e alegria, coisas que o mundo pouco conhece, distraído na ganância ao procurar preencher o que só Deus pode preencher. Ele não deseja nada além de Deus, e por isso ele é livre, verdadeiramente livre, porque chegou ao ponto de o seu coração desejar apenas aquilo para o que foi criado: adorar Deus. Não há nada mais importante na vida.

- Uma música bonita com este salmo, aqui.-