Salmos 90



Este é o Salmo com a referência mais antiga possível, é um Salmo escrito por Moisés, como podemos ver fala-nos em Oração de Moisés, homem de Deus.
Ele contrasta a eternidade de Deus com a mortalidade humana. O objetivo desta oração é clamar pela misericórdia de Deus sobre os seres humanos que vivem num mundo de pecado. O salmista começa com uma reflexão sobre a eternidade de Deus, então expressa seus pensamentos sombrios sobre as dores e sobre a brevidade da vida e a relação desses temas com a ira de Deus, e termina com um apelo para que Deus capacite o seu povo a desfrutar de uma vida com significado.

Versículos 1- 2

Moisés começa a falar de Deus, e começa a expressar uma metáfora para descrever o que pretende. Começa por falar na eternidade de Deus e na sua auto-existência, ou seja, Deus nunca precisou de ser feito porque sempre existiu, ao contrário de nós que existimos de uma forma derivada, finita e frágil, Deus existe como eterno, auto-suficiente e necessário (a sua existência é necessária porque não há possibilidade dele deixar de existir. No V2 o salmista afirma a existência eterna  de Deus, a obra divina da criação  trouxe à existência o universo inteiro. Pastor Luís Sayão diz: Se existe alguma coisa que permanece da mesma maneira como sempre nós vemos são as montanhas.

Primeira coisa importante – Tudo começa com a revelação que Deus faz de Si mesmo a  Moisés e esta vai ser uma revelação da distância tremenda que Deus tem entre Ele e nós. É a componente que provoca a verdadeira adoração, o desejo de prostrar-se, de sentir-se como pó diante da grandiosidade tremenda de Deus.
E a dimensão que Moisés capta é a dimensão da eternidade de Deus, ele observa a referência mais próxima que são as montanhas. Ele diz: “Senhor uma coisa eu posso dizer, Tu não és apenas um Deus eterno, Tu és um Deus redentor, Tu existes Senhor  antes de nascerem os montes.”  (Pastor Luís Sayão)

Versículos 3- 6

Depois da contemplação extraordinária  da eternidade de Deus que é percebida no coração do salmista, essa percepção com os olhos do coração vai fazer o salmista voltar numa outra direção e começar a pensar em si mesmo, em nós. (Pastor Luís Sayão)

V. 3 – o salmista começa por ter a percepção da fragilidade humana, “tu reduzes o homem ao pó”, isto significa que a humanidade vive sob um soberano decreto de morte e não tem como escapar disso (Bíblia de estudo Macarthur).
V.4 – Este versículo mostra-nos que Deus não está sujeito ao tempo, mas que é o Criador do mesmo.
V. 5 e 6 – Estes versículos referem-se à brevidade da vida humana, e em como a humanidade é insensível a isto e à ira de Deus. A humanidade vive a sua vida como se estivesse dormindo, como se estivesse em coma. (Bíblia de estudo Macarthur).

O texto vai-nos dizer que quando o nosso coração descobre quem Deus é, nós sabemos quem nós somos.
Descobrir quem nós somos diante da realidade da eternidade, essa percepção, quando surge no âmago do coração, faz com que a nossa vida seja diferente.
E quando existe esta percepção de fragilidade humana e de quem nós somos, a nossa atitude humilde perante a vida deve surgir imediatamente. Toda a atitude arrogante, toda a postura diferente da do Senhor Jesus é uma atitude que deve ser rejeitada.

Versículos 7-10:

Nestes versículos o salmista apercebe-se do seu pecado e que é realmente mau.
E o Pastor Luís Sayão explica este  “apercebermo-nos do pecado” , de uma forma muito clara e onde faz uma distinção.
Uma coisa é compreensão e outra é contrição, uma coisa é saber que nós somos pecadores e dizer como quem diz “bom dia”, outra coisa é nós nos lembrarmos disso quando por exemplo: já falamos demasiado da vida do outro, e sentimos a força da nossa cobiça e ficamos chateados com isso, dizemos “Deus socorro quando é que eu vou pelo menos receber o corpo da ressurreição e me ver livre disso? “ , e ele cita David Brayner “Socorro Deus, olho para o meu coração e vejo o inferno.”.
O que o salmista diz é que segundo a percepção da sua vida,  ele entende  a ira de Deus como sendo a Sua manifestação perfeitamente recta e justa perante a maldade do salmista.
Feliz daquele que olha para si mesmo e está insatisfeito com aquilo que vê, que não se agrada consigo mesmo, que tem ainda que pedir perdão e chegar-se diante de Deus. (Pastor Luís Sayão)
Descobrir com a profundeza do nosso coração quem Deus é ajuda-nos a descobrir quem nós somos, e descobrir isto muda a nossa atitude perante a vida que passa a ser vivida com responsabilidade. Se este Salmo entrar no nosso coração e o entendermos , e ele se instalar no âmago da nossa alma, passaremos a viver a nossa vida em função da realidade da eternidade. (Pastor Luís Sayão)

Versiculo 11-12

Descobrir a grandiosidade de Deus e a finitude  humana. Descobrir a santidade de Deus e a pecaminosidade humana. Abre o nosso coração para aquilo que é mais importante da vida, que é o que aparece no texto: a sabedoria. (Pastor Luís Sayão)

O que é a sabedoria?
Sabedoria não é inteligência, não é a capacidade de raciocinar , não é cultura. Sabedoria é a capacidade de tomar decisões na vida segundo a vontade de Deus, e especialmente porque a vida é imprevisível.
Quando descobrimos quem Deus é, e quando descobrimos quem nós somos através de situações complicadas da vida, aí paramos para pensar verdadeiramente na vida. Nós não sabemos como fazer as coisas , precisamos de sabedoria mas não a desejamos.
O que é que nós queremos na nossa vida? Desejamos ter um grupo de amigos que nos incentive na nossa caminhada? Desejamos ter uma igreja bem sucedida?

Versículo 13- 14

Versículo 13- Aquilo que o salmista quer depois de descobrir a eternidade de Deus, a sua fragilidade, o seu pecado e desejar sabedoria é o próprio Deus.

Versículo 14 - C. S Lewis diz que o prazer, a alegria e a satisfação sem dúvida são das coisas mais legítimas e adequadas  que o ser humano deve desfrutar. Todos nós buscamos, ainda que inconscientemente, esta satisfação tremenda.  O problema é que por causa do pecado e da maldade nós encontramos alegria naquilo que não faz sentido.
O salmista começa por dizer que a nossa necessidade maior é conhecer o Deus grandioso, poderoso, santo e eterno. Quando conhecemos Deus, conhecemos a realidade acerca de nós mesmos e sentimos a nossa pequenez, a nossa fragilidade, a nossa maldade, o nosso pecado, nossa distância. E aí nasce a vontade de ter o que é necessário, chama-se sabedoria, a vontade de agir corretamente segundo Deus,  e a busca no coração pedindo a Deus para que isso nos seja dado. E de seguida, o destino do coração é reconhecer que Deus, sim, é o caminho da vida, é o caminho de desfrutar dessa presença, dessa saudade divina, que atinge a vida e o coração, que é a fonte da nossa alegria.

Versículo 16-17

Desfecho final – O salmista pede que as obras das suas mãos, que são executadas pela ação de Deus que o usou como instrumento, que consolide essas obras para que isso se firme e que atravesse o tempo depois que este desapareça.

Devemos abrir o nosso coração para o Deus da eternidade e é quando, essa graça esse poder, entra na nossa vida e tem um impacto que produz uma realidade espiritual extraordinária. Nós vamos embora, mas tudo o que Deus fez na nossa vida  pelo Seu poder, e pela Sua graça, vai continuar a dar fruto. O que é feito em Deus permanece para todo o sempre.

- Reflexão por Rita Sousa -