Lavado com lágrimas



Certa noite, Jesus foi jantar a casa de um homem muito importante. Este homem convidou, também, os seus amigos importantes. Estavam todos sentados a comer quando entrou uma mulher. Ela não tinha sido convidada mas todos sabiam quem ela era.

“Quem é que ela julga que é?” sussurravam os convidados. “Como é que se atreve?”. Esta mulher era conhecida por ser uma grande pecadora (aliás, para eles era óbvio, uma vez que ela tinha quebrado a lei e feito coisas muito erradas).
A mulher caminhou em direcção a Jesus. Trazia consigo um perfume muito caro. Naqueles tempos, os perfumes não vinham em frascos como hoje, mas em jarras. E as jarras eram feitas de pedra preciosa, como o alabastro. Estas jarras não tinham uma tampa nem nada para as vedar. Por isso, a única forma de obter o perfume era partindo a jarra. Uma vez partida a jarra, saía o perfume todo. A maior parte das pessoas não usavam o perfume, por ser muito caro, e por isso guardavam-no em casa, sem lhe mexerem ou usarem.
Por isso, este perfume era a coisa mais preciosa que esta mulher tinha. Era o seu tesouro.

A mulher ajoelhou-se aos pés de Jesus, como se ele fosse um rei. Segurou nos pés de Jesus com as suas mãos e começou a chorar. As lágrimas caíam directamente nos seus pés, lavando-os. Deu um beijo nos seus pés e secou-os com os seus longos cabelos. Partiu a jarra e derramou o perfume todo nos seus pés.
As pessoas ficaram embasbacadas. Que desperdício! Despejar um perfume nos pés de alguém?

Cheirava muito bem. Como lírios num campo.
Jesus olhou para a mulher e sorriu. O que ela tinha acabado de fazer era um gesto maravilhoso. Tal como Samuel tinha ungido David como o rei escolhido por Deus, muitos anos antes, assim esta mulher tinha ungido Jesus – não com óleo, mas com lágrimas.

As pessoas presentes estavam perplexas. Achavam que Jesus não devia ser simpático com esta mulher. “Esta mulher é uma pecadora!” murmuravam. “Nós é que somos os bons” – e realmente eles pareciam bons, pelo menos no seu exterior. Afinal de contas, eles cumpriam todas as regras.
Mas Jesus conseguia ver o interior de cada um, nos seus corações. E ele conseguia ver que estas pessoas não amavam Deus nem o seu próximo. Estavam como que fugidos e achavam que não precisavam de nenhum salvador. Achavam que eram bons porque cumpriam as regras da lei. Mas os seus corações estavam como que bloqueados com o pecado. Estavam frios e distantes.
“Esta mulher sabe que é uma pecadora”, disse-lhes Jesus. “Ela sabe que nunca será boa o suficiente. Tem a noção de que precisa da minha ajuda. É por isso que ela me ama tanto. Vocês rebaixam esta mulher porque vocês não olham para quem Deus é. Ela é realmente pecadora, e isso vê-se no exterior. Mas vocês têm o vosso pecado escondido, no interior.
Estas pessoas importantes ficaram enraivecidas.
Jesus virou-se para a mulher e sorriu. “Os teus pecados estão perdoados. Confiaste em mim, e hoje Deus salvou-te”.
“Quem é que Jesus pensa que é?” sussurraram estes homens importantes. “Apenas Deus pode perdoar pecados”.
Eles não acreditavam que Jesus era o filho de Deus.
Quanto mais Jesus amava as pessoas e as ajudava, mais estes homens importantes o odiavam. Tinham receio que as pessoas passassem a seguir a Jesus, em vez de os seguirem a eles. Tinham inveja. E muito ódio. Ódio suficiente para o quererem matar.

- The Jesus Storybook Bible, Sally Lloyd-Jones, adaptação livre -