O sol parou de brilhar.



“Com que então és um rei!”, os soldados romanos troçaram. “Então precisas de uma coroa e uma capa!”
Colocaram em Jesus uma coroa feita de espinhos. E colocaram-lhe uma capa roxa. E fingiram ajoelhar-se. “Sua Majestade!” diziam.
Depois, açoitaram-no. E espancaram-no. Não percebiam que este era o príncipe da vida, o rei do céu e da terra, que tinha vindo para os salvar.
Os soldados fizeram-lhe uma placa: “O rei” e pregaram-na numa cruz de madeira.



Subiram uma colina para fora da cidade. Jesus carregou a cruz às costas. Jesus nunca tinha feito nada de errado. Mas eles iriam matá-lo da mesma forma como matavam os verdadeiros criminosos.
Pregaram Jesus na cruz.
“Pai, perdoa-lhes” disse “Eles não têm noção do que estão a fazer”.

“Com que então vens para nos salvar?” gritavam as pessoas. “Nem te consegues salvar a ti próprio!”

Mas estavam enganados. Jesus podia salvar-se, se quisesse. Mandaria uma legião de anjos para o fazer, bastava chamá-los.
“Se és mesmo o filho de Deus, por que não sais dessa cruz?” diziam.

E claro que estavam certos. Jesus podia ter descido. Na verdade, bastaria ele dizer uma palavra e tudo pararia. Tal como quando curou a menina. Ou acalmou a tempestade. E alimentou 5 mil pessoas.
Mas Jesus permaneceu.
Sabes, eles não compreendiam. Não eram os pregos que prendiam Jesus na cruz. Era o seu amor.

“Papá?” Jesus chorava, levantando o rosto para o céu. “Papá, onde estás? Por favor não me abandones!”

E pela primeira vez – e última – quando Jesus falou, nada aconteceu. Apenas um horrível e infindável silencio. Deus não respondia. Virou as costas ao seu filho.

As lágrimas rolavam pela cara de Jesus. A cara do único que limparia toda a lágrima de qualquer olho.

Mesmo sendo meio do dia, umas escuridão assustadora invadiu a terra. O sol não brilhava. A terra estremeceu e houve um terramoto. As montanhas abanaram. Rochas partiram-se. Parecia que todo o mundo se ia desmoronar.

A força da tempestade era a ira de Deus a descer à terra. E ao seu próprio filho. No lugar das pessoas. Era a única forma de Deus destruir o pecado, sem destruir os seus filhos, com corações cheios de pecado.

Então Jesus gritou bem alto: “Acabou!”

E assim foi. Ele tinha concretizado o plano. Jesus tinha resgatado o mundo.

“Pai”, Jesus chorava, “Dou-te a minha vida”. E num grande suspiro, deixou-se morrer.

Estranhas nuvens e sombras encheram o céu. Roxas, laranjas, pretas.

Os amigos de Jesus carregaram o seu corpo. Deitaram-no numa sepultura feita de pedra.

Como é que Jesus podia ter morrido? O que é que tinha corrido errado? O que é que isto queria dizer? Já não sabiam nada…

“Acabou-se esta história” disseram os líderes.

E para terem certeza de que assim era, colocaram fortes soldados a guardar o túmulo. Trancaram-na com uma pedra enorme, de forma a que ninguém conseguisse entrar. Ou sair.

- The Jesus Storybook Bible, Sally Lloyd-Jones, adaptação livre -