Uma noite escura no jardim.



O vento soprava levemente, as nuvens começavam a encobrir o jardim, envolvendo-o em escuridão.
“Ficam acordados comigo?” Jesus perguntou aos seus amigos. Eles disseram que sim e aguardaram debaixo das oliveiras, mas estavam cansados e depressa adormeceram.
Jesus subiu sozinho, no meio do escuro. Precisava falar com o seu Pai do céu.
Ele sabia que tinha chegado o seu tempo de morrer. Tinham-no planeado há muito tempo, ele e o seu pai. Jesus ia pagar o castigo por todas as coisas erradas que toda a gente tinha feito e ainda iria fazer.
“Papá! Pai!” Jesus chorava. E atirou-se para o chão. “Há alguma outra forma de recuperares os teus filhos? Para curar os seus corações? Para que sejam limpos de todo o veneno?”
Mas Jesus sabia – não havia outra forma. Todo o veneno do pecado teria de ser colocado no seu coração.
Deus ia descarregar no coração de Jesus toda a tristeza e tudo o que estava quebrado nos corações das pessoas. Iria despejar no corpo de Jesus todas as doenças dos corpos das pessoas. Deus iria ter de culpar o seu filho por tudo o que se passava de errado no mundo. Isto iria despedaçar Jesus. Mas ainda havia algo mais, algo ainda mais horrível. Quando as pessoas fugiram de Deus, tinham perdido Deus. Não estar perto de Deus era uma espécie de castigo.
Jesus sabia o que isso significava. Ele iria perder o seu pai – e isso, Jesus tinha consciência, iria partir o seu coração em dois.
Jesus soluçava.
Depois ficou quieto. Como um cordeiro. “Eu confio em ti, Papá. O que tu disseres, eu farei”.
De repente, as luzes das estrelas invadiram o céu. No sossegado jardim surgiram sussurros, sons metálicos, os de botas de soldados a marcharem.
Jesus levantou-se.
Acordou os seus amigos. “Chegou a hora” disse calmamente. “Tudo o que foi escrito acerca de mim – aquilo que Deus tem andado a dizer ao povo ao longo de tantos anos – está-se a tornar realidade.
E no meio da noite, tochas e lanternas, com espadas e armaduras – um exercito de soldados apareceu. Judas conduziu-os a Jesus para que o pudessem prender.
Jesus aguardava-os.
Pedro saltou, pegou numa espada e tentou defender Jesus. Cortou uma orelha de um dos soldados. Jesus tocou imediatamente no guarda e curou-o.
“Pedro”, disse, “não é este o caminho”.
Pedro não percebia que exército nenhum do mundo, por maior que fosse, poderia prender Jesus. A menos que ele deixasse.
E então Jesus, que não tinha feito nada além de amar as pessoas, foi preso, como se de um criminoso se tratasse.
Os amigos de Jesus estavam com medo. Então fugiram e esconderam-se nas sombras.
Os guardas levaram Jesus e conduziram-no aos líderes.
Os líderes colocaram Jesus num tribunal. “És o filho de Deus?” perguntaram.
“Sou”, disse.
“Mas quem é que tu pensas que és? Para te achares Deus? Mereces morrer, por te denominares como sendo Deus!”
Apenas os romanos estavam permitidos de matar prisioneiros, então os líderes arquitectaram um plano. “Vamos dizer aos romanos que este homem quer ser o nosso rei.” E então, eles irão crucificá-lo.


Mas estava tudo certo. Era mesmo esse o plano de Deus.
“Foi por esse motivo que eu vim ao mundo” disse Jesus.

- The Jesus Storybook Bible, Sally Lloyd-Jones, adaptação livre -